Churrascaria – Rafinha Bastos

 

O que acontece quando um comediante resolve ir à uma churrascaria e fica sujeito às tentações da carne?

Come ou não come?

com Rafinha Bastos, Fernando Muylarert e Rodrigo Fernandes

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Rafinha Bastos é um homem bom

Jonas Lewis

Pronto. A censura voltou. Dão pulos de alegria os órfãos da SNI, os resíduos de carrascos que assolam a possibilidade e a capacidade de um país engendrar sua arte. Obti a triste notícia de que nesta segunda-feira, o comediante Rafinha Bastos não estará, como de costume, na bancada do CQC, programa que apresenta junto a Marcelo Tas e Marco Luque. Não gosto de Stand-Up, apesar de certa vez ter ido ao show de Rafinha e conseguido rir sem parar. Não assisto ao CQC assíduamente, apesar de já ter arrumado motivos para me divertir com o programa. O que assusta e traz a certeza de estarmos vivendo como uma espécie de manequim estético que desfila na passarela, expondo tendências contraditórias e somando décadas que se entrelaçam fazendo terríveis estragos à mente humana, é que censuramos e caçamos práticas comuns e banais como compras de fim de mês.
O comediante Rafinha foi censurado por causa de seu trabalho. Por causa de sua arte. Ou melhor, por causa de uma piada. Uma frase. Pergunto-me a que valor moral estamos atribuindo criações. Não ando aqui em defesa de alguém. Ando em defesa de algo. Quero salvar a nudez do devaneio, a pureza do pensamento, e acima de tudo soltar aos ares talvez o clichê mais importante de todos os tempos, chamado liberdade. Não vou entrar em conceitualizações da filosofia e engodos acadêmicos, só almejo que os brucutus não continuem brucutus, e que consigam, por fim, apenas aceitar o que é a arte e o que é o humor. Não peço nem que compreendam pois seria demasiada complexidade. Humor é destruição. Arte é destruição. E mesmo que se construa, ou que o próprio corpo exale a beleza na forma mais pura e menos discutível, derstruímos a possibilidade da realidade, assassinamos o pragmatismo da existência carnal e partimos à metafísica pura. São regras burlando regras, que tão burláveis, podem inclusive voltar a ser o que eram, e não saírem do lugar, sendo o nada que sempre foram. O humor é ferramenta, conserto e o que se conserta. É perverso e ácido como o artista que destrói afim de construir outra vez. Sem a lágrima de um oponente qualquer, sem o sofrimento fingido de um ser ou de uma situação, não há humor, não há riso ou gargalhada.
Rafinha é um homem bom. Um artista virtuoso e destruidor. O talento se destacando no veículo que degrada a cada minuto a juventude e a infância de um país chamado Brasil. Fez uma piada com um bebê e uma menina grávida. Temas pontiagudos frente a uma sociedade de óculos. Palavras que causam o levantamento ético das sobrancelhas da censura pobre e agora, tão poderosa. Gravidez, menina e bebê. Nossos cérebros de um século XXI atolado em uma moral provisória baseada na culpa pelo que fizemos e pelo que faremos relaciona tudo isso com a pedofilia (condenação da moda), com o estupro, com a monstruosidade, com a doença humana. Sem querer esqueçemos, ou fingimos conscientes, que assistimos à novelas sub-humanas, expomos os pequenos à delitos absurdos e aturamos atos inconsequentes 24 horas por dia. E isso não é arte. E não tem graça nenhuma.

Rafinha Bastos fora do CQC

O humorista Rafinha Bastos não estará na bancada do “CQC”, da Band, na noite desta segunda-feira (3) e nem nas próximas semanas. A emissora decidiu tirá-lo no ar após a repercussão negativa de piadas feitas recentemente e consideradas de mau gosto.

A gota d’água foi a piada feita na semana passada sobre a gravidez de Wanessa Camargo. “Eu comeria ela e o bebê”, afirmou Rafinha.

De acordo com fontes ouvidas pela Folha, uma “grande surpresa” está sendo preparada para amanhã.

A decisão foi tomada agora há pouco pela cúpula da emissora na França. Eles estão no país para participar da Mipcom, feira de audiovisual que começa amanhã em Cannes.

Na última sexta (30), um dos companheiros de Rafinha no “CQC”, Marco Luque –amigo de Marcus Buaiz, marido de Wanessa–, divulgou nota sobre o caso em que reprova a piada do colega.

“Sobre a piada feita pelo Rafinha Bastos, no programa ‘CQC’ que foi ao ar no dia 19 de setembro, eu, como pai, entendo e apoio a revolta e a indignação do Marcus Buaiz, um homem que conheço e respeito. Se fizessem uma piada com este contexto sobre a minha família, certamente ficaria ofendido. Com certeza uma piada idiota e de muito mau gosto.”

 

Publicado em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/984550-rafinha-bastos-estara-fora-do-cqc-nesta-segunda.shtml

Manifesto Free Tonho Crocco

Por Jonas Lewis

Será que o trecho da canção de Jorge Ben foi uma grande ironia, ou podemos ainda considerá-lo um esperançoso quanto à evolução da humanidade?

 “Eu tenho fé, amor e a fé no século XXI, onde as conquistas científicas, espaciais, medicinais, e a confraternização dos povos, e a humildade de um rei serão as armas da vitória para paz universal! União! Todo mundo vai ouvir, todo mundo vai saber!”

Quando deparamo-nos com tamanha incapacidade de compreender a liberdade, quando os reis parecem não enxergar nada a mais do que seu próprio ouro e quando a arte, máquina primordial da confraternização dos povos, é tratada com mesquinharia e pequenez, andamos a passos largos para trás e anulamos, neutralizamos, tiramos de nós mesmos tantas evoluções científicas, medicinais e espaciais. Somos computadores e descobertas, foguetes e infinitas possibilidades de resolução. Televisões menores, celulares inimagináveis e acessórios que mudam a capacidade do ser-humano de relacionar-se.

O medo que carrego, e que sempre andará comigo, é o de que esqueçamos de nossos direitos. Lembramos o suficiente dos deveres e hoje, nosso formigueiro funciona como nunca. Pois temos a arte, e com ela nunca seremos monótonos e insossos. Com a poesia transformamos a rua onde moramos em um reino encantado por onde cantam pássaros que ainda não existem. A música exala a filosofia de nossas almas, sem que elas propriamente saibam que estavam a filosofar, disse Schopenhauer em um de seus estudos sobre a bela arte. Os filmes, a dança, os martelos esculpindo, tudo é tão necessário para que vivamos em paz com nossa própria existência.

Há tempos nem tão longínquos, muitos tentaram e conseguiram calar os que faziam arte. Analisaram suas intenções, desbravaram sem sucesso suas almas infinitas e cometeram absolutas injustiças contra músicos, poetas, humoristas, escritores, e tantos outros que em sua atividade diária produziam algum tipo de manifestação artística. Hoje, evoluídos, enxergamos com desprezo o que fizeram com esses artistas. Não podemos entender o por que, se suas obras eram tão verdadeiras quanto o raiar do sol. Falavam do dia, da noite, das universidades, da política, da corrupção, das guerras, das irracionais matanças dos inocentes.

Pois bem, por entre evoluções e computadores, celulares e concepções inimagináveis de onde o cérebro humano poderia chegar, estão querendo permitir a volta de algo chamado CENSURA. De leve percebo movimentos coibindo o artista de rua, demitindo o escritor honesto, e agora processando o músico e poeta e combatente. Sejamos evoluídos, pois então! Não deixemos com que os que reis do ouro e da cobiça calem a voz necessária da poesia! Não nos ceguemos e não nos entreguemos ao poder imaginário do nobre traje da corte, querendo nossas cabeças por somente querer fazer o que eles não sabem e não saberão fazer: a ARTE. A verdadeira arte livre. Pois não há arte sem liberdade e não há vida sem arte. A censura é absurda e não se pode permitir que nem um risco de sua mancha dolorida e insuportável volte a assolar nossas vidas. Queremos pensar o que pensamos, e não o que podemos!

Os postes mijando nos cachorros

O músico Tonho Crocco está sendo processado, por intermédio de uma ação no Ministério Público, por causa da música Gangue da Matriz. Gravada em dezembro de 2010, a canção é um protesto contra o aumento de 73% nos salários que os deputados estaduais gaúchos se concederam na época.

Sobre uma base eletrônica, Crocco faz um rap onde cita o nome dos 36 parlamentares que votaram a favor do projeto de lei que reajustou de R$ 11.564,76 para R$ 20.042,34 os vencimentos do parlamentares.

A representação é assinada pelo deputado federal Giovani Cherini (PDT), presidente da Assembleia Legislativa na época em que o reajuste foi aprovado.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Segundo+Caderno&newsID=a3429426.xml

Manifesto do Tonho Crocco no blog do cara: http://www.tonhocrocco.com/novo/index.php?main=blog_view&id=15