Sonho de não ser

 

Braian Gehlen.

 

Sonho de não ser
Brilho triste que nem vejo
Dogma de sono eterno
Sal misturado com beijo
Neblina na primavera
Flor que não desabrocha
É a chuva que escorrega
Quando pesa feito rocha
É a cor da madrugada
Rindo do teu semblante
Um copo vazio de água
O dia vazio de noite
Sonho de não ser
Amanhã que não se apressa
Palavra que parto ao meio
Ainda que não se despeça
Verdade, mentira, certeza
Concretismo de pura ilusão
Poeira em cima da mesa
Fartura que sobra no chão
Sonho de não ser
A gargalhada do idiota
Poema que não se expressa
Num ódio que não se nota.

 

Braian Gehlen. Poeta.

Contribuição de um amigo querido: Braian Gehlen. Ele também se importa. Com arte.

 

 

O telefone toca
Enquanto abro a porta
A sala está deserta
A não ser pelo arranha-céu
Que desabou
Ou será o teor da vodca
Na garrafa de vidro
Como são de vidro
Teus olhos que não bebi
Mesmo assim
Ainda me perco
Não há ninguém no corredor
Tem cheiro de cigarro
No apartamento ao lado
O beijo no espelho com sabor
Tive um sonho breve
E outra noite se passou
Tudo bem, a vida continua
Esperando pelo elevador