Juliana Schneider Guterres

Juliana, oi? Nome demais. Escolhido por mamãe e papai. Austero. Fechado. Hiper-dimensionado. Usado em situações de extremo rigor, formalidade ou chateação. Tudo o que não sou, não quero, não gosto e não posso. Gosto mesmo é de ser Jú. Essa sei quem é, fui eu quem escolheu. Pequenina. Leve. Móvel. Fluída. E com acento, por favor – pra demarcar toda a cadência e intensidade que me habitam.

Eu gosto do feio. Do escuro. Da morbidez do cinza, mas não dispenso um dia de céu azul. Gosto do que dói, do que rasga, do que amassa, do que derrama, do que suja. Gosto do não pudor, da não medida. Não sei, desconfio. O sarcasmo e a ironia parecem gostar de mim, andam sempre por perto. Gosto do que entorta, do que entope, do que entorpece. Gosto do calor – do sol, dos afetos, dos corpos e da chama. Às vezes gosto de não gostar. Quase sempre gosto do avesso e às avessas. Gosto de cabeças! Gosto do universo, mas não do universal. Perco a hora sentada numa mesa de bar, mas considerando que o atraso é uma constante na minha vida, isso não é nada de mais. Gosto do riso pós-choro, molhado pela salgada lágrima. Adoro maquiagem, cor extra para quando meus olhos vão tristes. Gosto de viajar, nem que seja no pequeno infinito escuro do meu quarto. A alegria do encontro me apraz, mas é a melancolia da partida me faz encher as folhas de textos. Não sei caber. Não sou sincrônica, nem simétrica – os polichinelos das aulas de educação física da escola que nunca nunca gostei de fazer eram sinais precoces disso. Gosto de ti, gosto de mim, mas prefiro formar nós. Abro várias portas, mas nunca lembro onde coloco as chaves. Gosto da metáfora, da metástase e da osmose. Não gosto de tudo o que escrevo, mas aprendi a não tocar meus papéis rascunhados no lixo. Me meto na dobra, arranho a lisura. Me encanta tudo aquilo que reverbera (n)a minha loucura. Gosto do gosto, do gesto, do gasto (odeio gato!). Gosto do que não fui, do que não sou e nunca serei, mas que está tão perto que posso palpar. Não aprendi a gostar do que fica – quero sempre o que se esvai e vai. Deixo-me sozinha. No instante me encontro, para logo perder-me de novo. Gosto do perder, é sempre uma forma mais original de ganhar. Ganho meu chão voando.

Psicóloga por vocação, coração e diploma. Filósofa ainda em formação. Se é que algum dia se f(ô)rma um pensador. Só se pensa e pronto. Tendo vinte e cinco anos. De sonho, de sangue e de América do Sul.

E, sim, falo horrores.

6 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Luise
    fev 28, 2011 @ 00:05:49

    ; )

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  2. Marília Silveira
    mar 07, 2011 @ 04:26:27

    Essa é Jú, filósofa psicológica ou psicóloga filósofica, não sei bem, diz ela que tá saindo do plano metafísico e embarcando na vida real. Parece que ela embarcou para um mundo surreal por uns tempos. Só sei que quando ela voltar vai ter festa, ahhhh se vai!!!

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  3. Joice Maria Falkoski
    abr 20, 2011 @ 09:36:22

    O Bloco do eu me importo está muito bom! Parabéns gurias!

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  4. Marcia
    maio 13, 2011 @ 16:38:56

    Jú , adorei o bloco, vou acompanhar … muito legal! Parabéns!!!!

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  5. Bloco do eu me importo
    maio 15, 2011 @ 05:29:52

    Valeu, gurias! Seguimos firme aqui 😉
    Beijo grande, Ju

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  6. margaret kazali
    ago 30, 2011 @ 20:20:27

    Genteeeeee muitooooo legalll mesmo…..me faltam palavras…..sociólogo não é muito de palavras……Sucesso gurias, trabalho sempre ttrabalho!!!! experiencias que se leva por toda a vida!!!
    margaret kazali

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