Eu sangro poesias baratas

 

Giovanni Andersen Garcia

Perder-se é o ato mais “natural” de nós humanos. Conter seu fluxo é nosso maior erro. Sei que meu corpo é fluido e que escorro pela vida, ocupando frestas, erosando a terra. As dúvidas são como jarras que aprisionam nosso fluir, alteram nossas margens. São barragens no nosso destino de homem. Quero não resistir a você. Meu peito está aberto. Vem ocupar-me com tua vida! Abandono os remos e deixo que o fluxo me conduza na tormenta do amor, cambiando dia e lua, noite e sol,  namorando a chuva e desenhando em minha memória seu rosto. Fecho os olhos e você está aqui. Quando olho para o sol que surge por trás das tímidas nuvens revelo-te meu sorriso no arco-íris que coroa o encontro de dois – sol e chuva juntos a fazer vida. Que venha mais… vida que me atravessa o corpo e rasga minha alma. Eu sangro poesias baratas.

Tempos modernos

Site: http://www.parafernalha.com.br

Twitter: http://www.twitter.com/aparafernalha

Facebook: http://www.facebook.com/parafernalha

Créditos:

Carlos Alberto – Bruno Padilha
Ana Carolina – Renata Castro Barbosa
Bubulito – Raphael Véles

Roteiro – pedro HMC
Direção – Felipe Neto e Osíris Larkin
Som direto – Daniel Curi
Produção – Maria Eduarda Magalhães
Montagem – Daniel Curi
Finalização – Osíris Larkin

E viva a não lógica!

Juliana Schneider Guterres

Beijo gay em horário nobre, nem pensar. Mas assassinato gay, pode. Atá! Os postes mijando nos cachorros! A maior emissora de televisão do país (que, ao meu ver, não tem culhão para bancar em rede nacional um beijo homossexual, afinal, como bons capitalistas, tenta-se agradar gregos e troianos. Sem beijos então, isso pode gerar menos anunciantes) dando essa lição aos seus telespectadores. Me choquei, decepcionei! Fiquei puta! Ao invés de promover o amor, o carinho e o desejo – em qualquer forma que esses venham a se dar -, a não lógica da Rede Globo opta por televisionar cenas de violência explícita contra um homossexual. Lá atrás, nessa lógica controversa, deve haver uma mensagem. Mas aí é que está: porque andarmos por linhas nada nítidas quando poderíamos ser mais claros? Beijem-se, abracem-se, acarinhem-se! Eu quero ver a liberdade de ser e viver seus afetos estampadas nas telas, escancaradas nas casas.  Não seria essa a verdade aceitação da diversidade? Qual é a não-lógica que diz que mostrando uma cena de violência incitaremos o altruísmo, a decência e o respeito? Psicologia reversa? Podia funcionar muito bem nas nossas infâncias com nossas mamães nos ameaçando deixar pra trás na rua – quando partíamos em disparada de volta ao rabo de suas saias, mas não venham me trovar que aqui isso também se aplica. Já dizia o poeta: gentileza gera gentileza. Falo por mim, parafraseando o sábio: RESPEITO GERA RESPEITO. E violência, infelizmente, gera violência.

Hipocrisia pouca é bobagem!

Nada como a câmera para nos tornar politicamente corretos.

CQC – Bandeirantes

Os dois lados da moeda – Rafinha Bastos

Exibido dia 01 de agosto de 2011


 

Conheci um homem

Texto de Giovanni Andersen. Para Jader Girotto.

Eu conheci um homem e me perguntei: o que lhe faz ser o que é?  Coragem ou fibra moral? Caráter? Às vezes tenho muito medo das pessoas, deixo-me fluir pensando.. do que elas são feitas e o que as tornam fracas? Feitas de covardia, fracas de coragem? Feitas de corruptudes, fracas de fibra moral? Feitas de escambos, fracas de caráter? O que nos faz ser machos, homens? O inconsciente, crente de que as coisas são do jeito que são por que é assim que tem que ser ou consciente, devoto de que a vida é processo que se constrói diariamente articulando-se com os interesses de quem detém o poder sob os viventes?

O que me faz ser quem eu sou?  Às vezes tenho muito medo de descobrir que não sou quem penso ser. Examino-me mentalmente na busca de responder: sou fraco de covardia? Sou  fraco de corruptude? Sou fraco de escambo?

Acredito-me um bom homem consciente. Será que sou mesmo? Sou um bom homem? Tenho mesmo uma natureza corajosa? Possuo caráter e fibra moral em minha personalidade? Posso eu responder esses questionamentos sem temer a resposta e sem iludir-me?

Eu conheci um homem, na verdade um garoto, que redefiniu pra mim o conceito de hombridade. Porque coragem é olhar-se e dizer sim para o que vê. Fibra moral é assumir-se sem reservas e dogmas. Caráter é colocar-se dignamente em tudo que faz.

Esse homem-rapaz de alma feminina é capaz de doar-se, entregar-se. Devota amor, carinho e zelo, candura e charme de fêmea em um corpo de homem.

Eu conheci um garoto que atende pelo nome de coragem, um menino que brinca com sua imagem por que sabe o que é, um rapaz que legitima-se por que é a própria dignidade.

Eu conheci um homem chamado Jader.

Gaga

 

Texto de Jonas Lewis. Para Jader Girotto

Sempre achei que tive coragem. Fugir cedo do colo de mamãe, desbravar a cidade, que parecia minha, conhecer as outras, atrás de algum dinheiro, saltar até o centro populacional do país e perder-me frente ao caos urbano de idas e vindas alucinadas de terminais e aglomerações. Fazer o que quisesse, mesmo conhecendo o clichê ancião de que o caminho seria de pedras.

 Sempre achei que tive fibra. Pais divorciados num circo armado pela disputa de caráter frente à minha ingênua folha em branco. Permaneci ileso, ou quase assim. Um cara de opinião, que não tinha medo de expor suas idéias, mesmo que elas perturbassem a paz do ambiente, mesmo que elas pudessem derrubar as paredes do quarto onde eu adormecia por todas as noites.

 Tudo pequeno perto do mundo! Tudo mesquinharia! Minha coragem e minha fibra são meros coadjuvantes na grande ópera infinita do mundo. E o mundo, por vezes, pode não andar tão longe. O mundo não é lá na Polônia, ou na China, nem nos gélidos Pólos. Não pede avião, ou navio, não nos exige grandes deslocamentos ou idiomas enrolados e complexos. O mundo talvez, sim, nos exija sabedoria. O mundo exige paciência, tolerância, inteligência, e acima de tudo caráter. A cultura, a intelectualidade, o poderio acadêmico e a riqueza são a lama dos porcos! O mundo nos quer abertos, e desimpedidos. O mundo nos quer como ele.

 O encontro e a amizade são possibilidades de novos mundos. Conhecer mundos alheios é conhecer o mundo. Viajar por ele. Pontos turísticos não são nada além de pontos turísticos. Guias são guias e museus são prédios ou casas onde se mostram coisas velhas. Viajar, para mim, é conhecer alguém. Gostar de alguém. E eu aprendi algo novo. Busquei nessa viagem, que pude fazer ao conhecer-te, algo de que andava precisando: coragens são variáveis e fibras são relativas.

 Tua coragem e tua fibra surpreendem minha falaciosa idéia do que eu era, do que tinha, do que fazia. Enfrentas o cenário com alma de protagonista! És forte sem força bruta, e atinges a sensibilidade que carregas com perfeição. A feminilidade é linda, e por que não tê-la? Por que não vivê-la quando se deseja? Admiro tua imensa coragem. Coragem que talvez nunca chegue a mim! Torço pra que tua fibra nunca se esgote, e vibro por ter conhecido teu mundo.

Ser teu amigo é legal pra caralho! Me faz melhor. Me faz mais homem, mais sábio e mais interessante.

 GAGA É DIVA!

 

 

 

“Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria.

Que o mundo masculino tudo me daria,

Do que eu quisesse ter.

 Que nada! Minha porção mulher que até então se resguardara,

É a porção melhor que trago em mim agora

É o que me faz viver.

 Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera.

Ser o verão no apogeu da primavera

E só por ela ser.

 Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória

Mudando como um Deus o curso da história

Por causa da mulher”

 (Gilberto Gil)

Marcha da Liberdade

 

 

 

 

 

Entradas Mais Antigas Anteriores