O dia em que o SUS visitou o cidadão

 

História contada em forma de cordel que fala sobre os direitos do cidadão na rede SUS. O vídeo faz parte da Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde, intitulado Humaniza SUS. Essa Política busca colocar em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde. O Into realiza projetos e pauta suas ações baseado no conceito de humanização.

Marcha contra a opressão

A comunidade autônoma Utopia e Luta, localizada na escadaria da Borges de Medeiros têm sofrido na última semana ameaças e ataques de grupos neonazistas, que atuam livremente na cidade de Porto Alegre, espalhando o ódio, o preconceito e a violência característicos desse tipo de “ideologia”.O que aconteceu: a fachada do prédio da comunidade foi pichada com suásticas e simbolos nazistas, simbolos de alvos como se estivessem mirando o edifício e dizeres como “SKINHEAD PRIDE” (Orgulho Skinhead), foi encontrada uma foto do grupo nazista “esfaqueando” a bandeira do Utopia e Luta e também há muitos comentários no blog do Utopia e Luta com ameaças violentas.
   O Utopia e Luta é uma ocupação do antigo prédio do INSS, abandonado há anos, localizado no coração do centro da cidade, e que se propõe a construir uma forma diferente de sociedade, de organização e de vida para quem mora nesta comunidade, que busca uma autogestão e uma independência do sistema capitalista à sua maneira, construindo hortas, lavanderias comunitárias, um local de costura, de uso por todos os moradores, e também acesso á moradias dignas populares, com preço reduzido para os que não possuem condições financeiras de pagar um aluguel possam ter um lugar para morar e a sua independência. O Utopia e Luta também está sempre abrindo as portas de seus espaços para que ocorram oficinas de teatro, encontros de movimentos sociais, debates sobre os mais variados temas da sociedade, festas temáticas, brechós, almoços, todas, todas as atividades gratuitas. Nos ultimos meses, foi aprovado um projeto do Utopia e Luta que consiste em oficinas gratuitas de Serigrafia, Corte e Costura, Horta Hidropônica, Padaria e Lavanderia, que visa a geração de renda para as pessoas, oportunidade de trabalho, formação de redes comunitárias e sustentabilidade.
É contra isso que esses grupos Neonazistas estão se levantando? Porque tanto ódio? Existe uma força contrária muito grande para aqueles que se propõem a mudar o sistema, mesmo que da sua maneira, no seu espaço. E esses grupos não se posicionam apenas contra comunidades autônomas que querem mudar o mundo, se posicionam contra gays e lésbicas, negras e negros, judias e judeus, pobres, moradores de rua e se posicionam muitas vezes com violência, e isso a mídia tradicional raramente divulga um caso que outro e a gente segue vivendo como se tudo estivesse bem, até quando percebemos, a violência está sendo lançada diretamente para nós!
Porque nós somos a maioria e esses grupos agem a favor das minorias.
Por isso, a favor de nós mesmos, da nossa segurança e liberdade, e dos nossos amigos, familiares e companheiros vamos nos manifestar SEXTA FEIRA, DIA 8 DE JULHO ÁS 19:00 na escadaria da Borges, em frente ao Utopia e Luta (n º731). Se faz necessária a presença de todos nesse momento, que embora a mídia não tenha interesse em divulgar a gravidade dos fatos, a situação se encontra no limite e somente com uma grande mobilização poderemos agir de uma maneira eficaz que acabe de uma vez por todas com essas ações lamentáveis de falta de respeito e humanidade para cima de quem luta para ter o direito de viver a sua vida à sua maneira.
TODOS LÁ!
Disponível em:  http://utopia-e-luta.blogspot.com/


O porquê da marcha….

http://utopia-e-luta.blogspot.com/2011/06/comunicado-movimento-utopia-e-luta.html

http://utopia-e-luta.blogspot.com/2011/06/comunidade-utopia-e-luta-sofre-ataque.html

http://utopia-e-luta.blogspot.com/2011/06/nossa-memoria-nao-esquece-nao_30.html

http://utopia-e-luta.blogspot.com/2011/06/contra-intolerancia-nossa-indignacao.html

http://utopia-e-luta.blogspot.com/2011/07/nota-publica-utopia-e-luta.html

Acabo de me suicidar para uma nova vida

Texto de Giovanni Andersen a um amigo que andava desistindo da vida

Não creio ser a pessoa mais indicada a te ajudar ou mesmo aconselhar, mas muito me preocupa te ver assim tão melancólico. Não serei aqui um otimista-moralista-hipócrita, te dizendo que a vida é linda, bela e florida, pontuada por dias azuis e noites mornas de luar. Sabemos que há dias de muita chuva e trovoada. Também não sou o tipo de cara que acha que a vida vale a pena a qualquer preço ou custo. Sou franco em dizer. Penso que as pessoas têm sim o direito de escolher se querem seguir vivendo uma vida que lhes é satisfatória ou não e isso implica também em decidir por ceifar ou não a própria vida. O que eu posso te dizer, amigo, é o que o Giovanni faz. E eu não acredito na morte. Assim só me resta a vida, e eu quero vivê-la da forma que for – com risos e lágrimas, com amores e rancores, mesmo que tenha a carne e a alma rasgada, que a dor venha em busca de aconchego. Eu não tenho outra escolha a não ser buscar uma vida mais satisfatória. E eu o faço constantemente, amigo. Nesse exato momento, estou matando um eu, uma vida que não me servia – acabo de me suicidar para uma nova vida. Uma nova vida que também vai me maltratar, mas é assim, nada é constante, nada é eterno, tudo é o mesmo e o contrario. A pergunta então é o que você esta querendo ver. Que vida você quer ter? Mude o que não esta bom. Mate essa vida que te traz lágrimas, angústia e melancolia e saia em busca de outras formas de viver! Não se deixe ser vítima em uma história que você tem o poder de escrever e reescrever. Abandone o desejo pela morte e conforme-se de que só temos a vida mesmo. Assim sendo, aproveite o período que é a vida. Viva a consciência de estar vivo, vivendo cotidianamente. Respire e sinta que seu corpo é uma vida, e que vive na sua consciência. A morte é só a inconsciência e nada mais. É isso o que penso, é dessa forma que Giovanni encara a vida!

Accademia della Follia em Porto Alegre

Pensei na Reforma Psiquiátrica, no estar com o grupo de teatro de Trieste: Accademia della Follia. Filhos da Lei 180 na Itália.

"Nós não fazemos teatroterapia, nós fazemos teatro", "Eu sou louco, não doente" dizia o diretor Claudio Misculin, ali não era um debate sobre Reforma era um efeito de Reforma em ato, era um efeito de vida da Reforma. Encontrei-me com aquelas pessoas na universidade, no dia seguinte dentro do manicômio (Hospital Psiquiátrico São Pedro) e no seguinte ainda, no teatro. 

As capturas dos discursos foram completamente diferentes em cada um dos ambientes, claro! Na universidade Claudio nos falou sobre seu método de fazer teatro, da memória que fica no corpo e por isso fazem os exercício de cena correndo, fazendo flexões...falou nos três pontos de onde saem a voz no corpo (peito, garganta e testa). Deitou-se no chão, fez flexões engolindo ar, e na sequência levantou-se sendo Creonte tirando a fala de uma voz gutural até um falsete, na mesma cena. Falou com uma sensibilidade indescritível de cada um dos atores, do que cada um tinha de potência e de como ele precisava trabalhar cada elemento com cada um. Seu teatro, ele disse ainda, é feito de RISCO e de EXCESSO. 

No manicômio fomos capturados pelos instituídos, falaram de seus diagnósticos (ainda que afirmassem que não estaríamos, de fato, interessados nisso), dos remédios que tomam... ali o contraste entre os atores e os usuários dos residenciais terapêuticos era triste. E ainda se viam pessoas de jaleco branco circulando e um funcionário arrastando um usuário à força para... não sabemos onde.... Camisa de força humana, prisão. É possível desinstitucionalizar um manicômio? A vida pode morar no manicômio? Num banheiro cujas portas não fecham, não tem papel e as privadas não tem tampas, onde não tem água, é possível? Entre janelas de vidros quebrados, frio, chuva e gente com fome o que é possível? 

Os atores então decidem nos mostrar algumas cenas, especialmente uma que causa grande espanto. Um ator grande e com voz grave saiu do hospício e voltou para casa, sua mulher, Marina, faz a comida. Ele arregala os olhos e chega por traz dela, agarrando seus seios, a mulher paraliza mostrando o incômodo de estar com seu louco de volta em casa. A platéia paraliza, um suspiro! Risos incontidos. 

Vale ressaltar que a moça em cena é a única "normalóide" (como a nomeia o diretor) do grupo.

Na sequência vamos ao teatro e a cena que nos faz perder o fôlego é a de Claudio costurando (de verdade!) sua barriga. 

Loucura? 

Corpo sem órgãos? 

Teatro! 

Risco e excesso, Extravagância – o nome da peça!

Vida! - Eu diria.

Deixo-os então com os próprios atores, em cena! E se tiverem a oportunidade de assistir, não percam! Eles estão em turnê por várias capitais do Brasil, ainda que a mídia não divulgue...

ATO PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA

Domingo, 3 de abril · 15:00 – 18:00 (AMANHA!!)
 
Na Redencao – Porto Alegre

Concentração às 15hrs no arco

Em seguida, o grupo ‘Ói nóis aqui traveis’ intervirá com a performance “ONDE? Ação nº 2” que, de forma poética, provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.

Compareça, leve uma camiseta para fazer um stencil, a sua voz pra gritar e sua força pra lutar por uma causa que não pode cair no esquecimento.

“Porque justiça e verdade não são revanchismo!”