Manifesto Free Tonho Crocco

Por Jonas Lewis

Será que o trecho da canção de Jorge Ben foi uma grande ironia, ou podemos ainda considerá-lo um esperançoso quanto à evolução da humanidade?

 “Eu tenho fé, amor e a fé no século XXI, onde as conquistas científicas, espaciais, medicinais, e a confraternização dos povos, e a humildade de um rei serão as armas da vitória para paz universal! União! Todo mundo vai ouvir, todo mundo vai saber!”

Quando deparamo-nos com tamanha incapacidade de compreender a liberdade, quando os reis parecem não enxergar nada a mais do que seu próprio ouro e quando a arte, máquina primordial da confraternização dos povos, é tratada com mesquinharia e pequenez, andamos a passos largos para trás e anulamos, neutralizamos, tiramos de nós mesmos tantas evoluções científicas, medicinais e espaciais. Somos computadores e descobertas, foguetes e infinitas possibilidades de resolução. Televisões menores, celulares inimagináveis e acessórios que mudam a capacidade do ser-humano de relacionar-se.

O medo que carrego, e que sempre andará comigo, é o de que esqueçamos de nossos direitos. Lembramos o suficiente dos deveres e hoje, nosso formigueiro funciona como nunca. Pois temos a arte, e com ela nunca seremos monótonos e insossos. Com a poesia transformamos a rua onde moramos em um reino encantado por onde cantam pássaros que ainda não existem. A música exala a filosofia de nossas almas, sem que elas propriamente saibam que estavam a filosofar, disse Schopenhauer em um de seus estudos sobre a bela arte. Os filmes, a dança, os martelos esculpindo, tudo é tão necessário para que vivamos em paz com nossa própria existência.

Há tempos nem tão longínquos, muitos tentaram e conseguiram calar os que faziam arte. Analisaram suas intenções, desbravaram sem sucesso suas almas infinitas e cometeram absolutas injustiças contra músicos, poetas, humoristas, escritores, e tantos outros que em sua atividade diária produziam algum tipo de manifestação artística. Hoje, evoluídos, enxergamos com desprezo o que fizeram com esses artistas. Não podemos entender o por que, se suas obras eram tão verdadeiras quanto o raiar do sol. Falavam do dia, da noite, das universidades, da política, da corrupção, das guerras, das irracionais matanças dos inocentes.

Pois bem, por entre evoluções e computadores, celulares e concepções inimagináveis de onde o cérebro humano poderia chegar, estão querendo permitir a volta de algo chamado CENSURA. De leve percebo movimentos coibindo o artista de rua, demitindo o escritor honesto, e agora processando o músico e poeta e combatente. Sejamos evoluídos, pois então! Não deixemos com que os que reis do ouro e da cobiça calem a voz necessária da poesia! Não nos ceguemos e não nos entreguemos ao poder imaginário do nobre traje da corte, querendo nossas cabeças por somente querer fazer o que eles não sabem e não saberão fazer: a ARTE. A verdadeira arte livre. Pois não há arte sem liberdade e não há vida sem arte. A censura é absurda e não se pode permitir que nem um risco de sua mancha dolorida e insuportável volte a assolar nossas vidas. Queremos pensar o que pensamos, e não o que podemos!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: