Amar, sim, é a criação

Por Jonas Lewis

É um amor pobre aquele que se pode medir. Há gente que ainda não sabe escutar o silêncio. Não pode compreender as incompreensões do coração. Falta-lhes não sei o que. Sobra-lhes realidade, ruídos e imagens. Pobres guardadores de felicidade. Plenos e risonhos, fartos e destinados, enxergam o pensamento como qualidade, meta e necessidade. Não descobrem em seus próprios compartimentos do desespero, gavetas da angústia, que o pensamento é o coração em ação. Pode o homem encontrar a alma no choro de outro homem, no riso de outra alma e no silêncio de algo. Hei de enxergar velharias em minhas gavetas, agarrá-las e multiplicá-las em sofrimento incurável, lágrima indispensável e felicidade expandida por entre monstros chamados momentos.

Moças e poesia, incerteza e capacidade de saber o que é belo. Amar as árvores de Petrópolis, e enganá-las fingindo plenitude. Sorrir aos sorrisos e aos choros, tratá-los como trato um cão. Assim tenho procurado em minhas reservas um pouco do meu coração. Mentindo fatos desinteressantes e pequenos chega-se à opiniões humanas, que beiram a insanidade insalubre. Ditos esperados e frases que são lixo ao pensamento. Afinal, quem avalia tudo é o coração, disfarçado de alma, cérebro e conhecimento. Ora, o conhecimento, empregado da paixão, substituto da verdade dolorida à alma humana. Teoria e estratagema, modos e normas, fugitivos da capacidade poética, da graça feminina e da incessante busca à própria alma. Corremos então ao velho abismo do nada, ao silêncio da vacuidade, à falta de ruídos doentia, ao marasmo da eterna angústia e às linhas em branco frente à maquina posta.

Doentes do coração são os que não acreditam que há música nas folhas secas do caminho. O ruído da sombra, da possibilidade infinita de ser folha e de estar no caminho. A melodia dos contratempos que o vento é pai, os falsos pulos e a queda silenciosa. Despedaço-me na tentativa de uma criação ao saber que nada criarei. Que amar, sim, é a criação intensa e pura. Quando se recebe de regalo as obras do acaso, entende-se que é pobre a máquina humana. Comprova-se que a razão é o vento, o conhecimento não passa de sombra e as intenções são como a tempestade repentina no mar. E só.

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