O que será da Rua de Mão Única?

Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho…

O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo…

Sentou-se na cama com o corpo ainda dolorido e olhou a janela. Borboleta pousada no parapeito aguardava a abertura dela para olhar. Lá dentro alegria era pluma pairada sobre o ombro dele. O salto, o sapato, uma noite. Bebida. Encontro. Tudo ressoava na tontura do corpo. Alegria era o vento que levantara a blusa dela ao dançar.

Acordaram acompanhados um do outro na sala que não era deles. Cada um seu corpo, cada corpo seu lado. “Quem diria…” pensaram. Mas alegria era o sorriso de pluma no canto do lábio e letra da música dita ao pé do ouvido.

O abraço calava as palavras da manhã fria e atenuava a estranheza de tão boa sensação: estar junto. Alegrias eram plumas colhidas no instante. Beijo ainda era doce de manhã.

A rua era de mão única, mas, tudo bem, naquela manhã queriam ir para o mesmo lado.

*Texto baseado em fragmentos do livro: Rua de Mão Única de Walter Benjamin.

**Originalmente publicado aqui: http://mariliasilveira.blogspot.com/

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