Alice que mora em mim

Chamei Alice para contar o que estava na dobra da folha amarelada pelo tempo. O tempo esmaeceu. Estava cansado de ser ignorado. Alice ficou surpresa ao ver o tempo tão cabisbaixo. Sentiu-se tocada pela tristeza que emanava dele por aquela voz amarela que vinha da folha. Chamei e nem disse quem era, mas ela veio mesmo assim. Ela sempre vem. Daquele encontro de Alice com o tempo brotou cansaço, Alice esmaeceu ao lado do tempo e os dois ficaram amarelados como a folha. Amarelo queimado, envelhecido, esquecido.

Eu queria esquecer. Alice queria surpresa. Ela era a menina que morava em mim nas noites vagas das portas abertas. Era quem me entregava o fio para que eu não me perdesse. Ela vagava despreocupada pelos meus labirintos escuros enquanto eu temia. Era ela quem me acendia a luz e tirava o Minotauro do caminho conversando com ele. Era quem me fazia rir. Era também no colo dela que eu deitava quando tinha medo.

Geralmente trazia seu sorriso no rosto e só às vezes ficava triste. Quando ficava triste ela buscava outros colos nos quais podia deitar.

 

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