Jonas

Por Juliana Schneider Guterres


Me faço letra na incapacidade de ser carne que deita ao teu lado. Mas por vezes, me afogo nesse universo por nós inventado. Não vem palavra. É puro grito. Alma que foi abandonada pelo léxico. Ato. Corpo que se move por não saber dizer. Arrepio profundo que nasce no íntimo do ser e reverbera pela espinha antes de correr solto por ruas cinzas de esquinas vazias. Me encolho. Acolho esse corpo que já não pode mais. E espero a porta abrir – tua presença invadindo a casa e o peito que iam emudecidos. Pela porta escancarada o sol brilha novamente. O vento assovia varrendo as folhas secas que rodopiavam sem rumo pelo porão e a fina camada de pó que mascarava os sentidos. Tu traz nas mãos meus papéis e canetas esquecidos há tempos. Dos teus bolsos cai a inspiração que eu pensava perdida. Corpo-poesia. Caminho para meus descaminhos. Nos teus lábios (re) encontro minhas palavras. Beija-me, tenho tanto a te dizer. 

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