Desculpa?

Dois corações pulsando, quatro mãos escrevendo

Texto de Giovanni Andersen Garcia e Juliana Schneider Guterres

Imagem de Melissa Steckbauer

A quem interessar possa, torno público o meu pedido de desculpas. Sou promíscuo, profano, volúvel e volátil. E gosto de ser assim.

Eu me desculpo com você por que estou vivendo minha vida, com toda a plenitude desta afirmação. Assumo toda responsabilidade que esta jornada me impele e entendo que essa decisão possa incomodar você, mas não posso fazer nada além de pedir desculpas e seguir em frente. Sigo em minha procura, sem entender por que eu incomodo tanto a você.

É, estou me desculpando por algo que não sei exatamente o que é. Me desculpo pelo o que acredito que sejam os motivos de seu mal estar. Sei que não sou a pessoa que você gostaria que eu fosse. Sei que a minha forma de pensar contradiz as suas determinações. Sei que meu comportamento expõe aquilo que você nega e rejeita. Lamento, mas seguirei sendo quem sou, articulando novos verbos ao meu modo de pensar e meu comportamento continuará sendo uma janela aberta para a realidade.

Entendo que você pense que quem sou rompe com a lógica do que se acredita ser o normal. Mas não canso de questionar: quem define mesmo a normalidade? Aliás, por que ainda fazemos questão da norma? E essa história da lógica do terceiro excluído? Saúdo terceiras, quartas, múltiplas proposições. E para mim, excluído é todo aquele que não se abre ao fervor do mundo, aos corpos que se encontram e dobram diariamente. Vivo a livre movência, não quero ser marcado como gado, rotulado como produto ordinário em prateleira de supermercado.

Sei que quem sou assusta você, e que sua covardia faz com que aja agressivamente. É mais fácil apontar dedos inquisidores na cara do que você chama de fracasso do que estender a mão com carinho para o que eu chamo de amor, não? Desculpe por eu provocar o seu medo. Mas o seu medo de mim, me dá medo de você! Aliás, meu medo não é de você, mas de me pegar vivendo uma vida que não é minha, vida clandestina, fictícia. Uma vida que supra seus anseios do que seria uma boa vida para mim.

Lamento informar que não caio no ciclo da auto-comiseração. Sigo em busca do que é meu, me misturando com o que é dos outros.

Por que você não tenta me conhecer? Por que você me reduz a um gênero? Por que você só me vê pelo sexo que pratico? Por que você fica tão incomodado com a minha expressão do amor?

Me desculpe por não poder ajudá-lo, mas é você que tem que fazer um esforço para me conhecer. Desde sempre tive que aprender a me acostumar a ser o diferente, o menor, o com menos valor. Enquanto você gozava de uma vida vivida a luz do dia e da sociedade “digna”, eu me escondia na sombra da marginalidade do meu corpo e dos meus afetos.

Quem mesmo deveria se desculpar?

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5 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Patricia olivera de melo 1E
    jun 27, 2011 @ 15:30:35

    Que enves so homem bate no animal o animal patel no homem
    é poriso que o animal pedi descupa ,pede tanbem para as pessoas
    ajudá-lo por que desde sempre ele teve que se acostuma a ser diferente,o menor,o com menos valor.Enquanto as pessoas gozava de uma vivida a luz do dia a da sociedade digna,eu me escondia na sombra da marginaladade do meu corpo e dos meus afetos.bom é isso que intendi

    Resposta

  2. Dai
    dez 18, 2011 @ 09:51:25

    Com licença. Não entendi nada. Que sexo que você pratica? Com animais? Com bestas? Porque se for você apenas um normal homossexual, acho que está sando muita importância aos outros, aqueles intolerantes de plantão. Bem, se puder me exclarecer, agradeço.. A foto é horrenda, mas válida. O texto é lindo, mas confuso. É o que, gente?!!!!! rss
    Prazer e boas festas!

    Resposta

  3. Bloco do eu me importo
    dez 20, 2011 @ 01:25:39

    O texto todo versa sobre os padrões de normalidade válidos na nossa sociedade – e quem os cria. (A ordem do discurso de Michel Foucault, ótimo livro, #ficaadica!) e tu recheias teu comentário justamente com “apenas um normal homossexual”…
    A idéia é horrenda, mas é tua. O comentário é válido, mas deprimente.
    Prazer e boas festas!
    Um abraço, Juliana

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  4. Giovanni Andersen Garcia de Souza
    dez 20, 2011 @ 08:35:54

    Dai ! obrigado pelos comentários.. eles comprovam que meu intuito de provocar pensamentos se realizou !! contudo acho que vc ficou seqüestrada pela imagem, que vou descordar quando a chama de horrenda ! ela é sim provocativa e desconfortante.. assim como tudo que rompe com a dita norma estabelecida, dentro de um discurso da naturalidade !! o texto pede sim ser confuso, mais a vida também o é ! não falamos e nesse caso também não praticamos sexos com animais, mais que o gozo seja farto para os que praticam ; ) mas voltando.. ser gay em uma sociedade que passa o tempo todo dizendo que vc é errado, e que sua vida corre as margens da “normalidade” e da “legalidade” não passa pelo simples “deixa pra lá” !! e texto surge de um sentimento de “assumir” essa culpa por tentar levar uma vida autentica, e nessas palavras tortas tentar mostrar que desculpas são as vezes assoes necessárias !! e aos intolerantes…. bem isso não é problema meu, desculpo-me aos tolerantes : )

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  5. Júlia Degues
    dez 20, 2011 @ 11:58:25

    Adorei o texto de vcs, queridos. É encantador e profundo. Lindo, enfim. Beijos.

    Resposta

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