Humano.. quando?

Por Giovanni Andersen Garcia


O que é o homem? Muitas respostas a este questionamento foram elaboradas, mas não produziram um conforto e compreensão a respeito do que ou de quem somos.

Há quem acredite que o homem seja biológico, fruto de um constante processo de mutações que se inicia em micro-organismos que reagem quimicamente com a atmosfera primitiva; assim, toda origem da vida teria seu início nessa perspectiva, o homem então é um mutante, resultado de um longo processo evolutivo de elementos dispersos a um complexo organismo vivo.

 Há quem acredite que o homem é um ser racional, e que ao longo do processo evolutivo distancia-se de sua natureza animal, trocando seus instintos por equipamentos.

Complexidade! Esta palavra pode ajudar a entender o homem, pois somos sob todos os aspectos seres complexos, porém deixamos de ser complexos para nos tornarmos complicados. Quando o homem começa a olhar para o que está a sua volta, a pensar a respeito do que vê, a refletir a respeito do que sente, e a interagir e modificar o que o cerca.

Construímos um ambiente artificial, “fértil” e possível para a nossa vida, livrando-nos da seleção natural das espécies, isso graças à nossa capacidade de raciocino lógico. Essa tomada de consciência revela também que o homem é um ser comunitário, comunicativo e que deseja viver junto dos seus, e é esse desejo que nos organiza em sociedade(s).

 Há quem acredite que o homem é coisa, oportunista, que se utiliza de sua complexa inteligência para driblar a seleção social.

 Ambigüidade! Outra palavra que ajuda a entender o homem, esse homem social é o resultado de uma troca de saberes e da ampliação de seus questionamentos. O homem social ainda é cria do processo evolutivo? O homem social agora entende-se como um ser, e esse ser pode inventar o seu pensar, o trabalhar, as regras do jogo da vida.

O homem social é um ser político, reflexivo, que elabora a humanidade e se pergunta: o que nos torna humanos? Pensa a respeito de si, da sua capacidade de raciocínio complexo e de transitar livremente pelo planeta, de inventar ciências, as artes, de fazer leis para si, de criar senhores e deuses para si.

O homem em sua humanidade é esta certa bondade e maldade que são próprios de nosso comunitarismo social, “o homem não é um império no império”, já dizia Spinoza, ele faz parte da natureza, cuja ordem ele segue – inclusive quando parece violá-la ou devastá-la – ele faz parte da historia, que ele faz e que o faz, ele faz parte de uma sociedade, de uma época, de uma civilização. O homem é um espelho do meio social que ele vive, é criatura paradoxal, ambígua, utiliza-se da razão, do progresso cultural, do sentimento de solidariedade para organizar leis e sistemas a fim de garantir os direitos individuais; direitos esses que foram estabelecidos, ao longo da historia da humanidade, num processo de evolução ética, que garantem por exemplo a sobrevivência dos indivíduos “menos aptos” como inválidos e órfãos.

Esse mesmo homem que olha para o mais fraco e o protege da sanha da seleção social é capaz de subjugar, de escravizar, de torturar (moralmente, fisicamente e psicologicamente) o seu semelhante; “sufoca” barbaramente a insurgência daquele tido como inimigo, o homem é assim o seu veneno e o seu bálsamo.

Creio que a pergunta inicial continua com seu ponto de interrogação, e nós, homens curiosos, continuamos na busca de uma resposta que conforte nossa mente inquieta, nossa alma sonhadora, nosso espírito libertário, somos assim um pouco de tudo que pensamos, e no quanto podemos ser profundos e igualmente rasos.

 Para o filosofo Andre Comte, “É um ser humano todo ser nascido de dois seres humanos”; e pra você, quem joga o próprio filho na lata de lixo pode ser entendido como?

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