Nossas crianças (:

Durante meu estágio essa semana – em uma escola bilíngue em Bridgeport, Connecticut – me peguei olhando para aquelas crianças. As crianças do jardim de infância, cuja maior missão era abrir a sacola e comer aqueles morangos norte-americanos nada naturais; as crianças da segunda série, que buscavam acima de tudo a aprovação da professora, que por sua vez buscava a própria aprovação; e os/as adolescentes da sexta e sétima série  – intensamente indescritíveis.

As professoras chamavam “os/as indisciplinados/as”, ressaltando defeitos a tal ponto que a posição de inferioridade na qual eles/as eram colocados/as os/as tornavam controláveis. Impotente, perguntei-me o que eu diria a eles/as se eu fosse livre de qualquer obrigação física, profissional ou de etiqueta. Perguntei-me se algum dia fui livre.

Eu diria àquelas lindas criaturas que a vida deles/as não vai ser fácil por uma série de motivos. Que na verdade a vida é tão difícil quanto eles/as farão dela. Que eles não tem que ser idiotas para ser homens de verdade. Que elas não precisam ser magrelas e sexy para ser amadas ou respeitadas (ou ambas, se possível). Que a TV e as revistas os/as deprimem de propósito por simples lucro. Que é cool conhecer o que faz de cada um(a) de nós único/a. Que o que é cool mesmo é sentir.

Ah, os sentimentos. Que eles/as todos/as deviam ter sentimentos. Que não é errado chorar no final do filme triste. Que não é fraqueza permitir-se tocar por tragédias do outro lado do mundo. Que o mundo não muda sozinho. Que as pessoas não se sentem melhores quando ficamos sentados/as e fazemos nada. Que não importa como, mas que eles/as tem que achar uma forma de se expressar. Que violência não é uma dessas formas. Que ser louco nesse planeta é um elogio. Que nada vai ficar bem só porque as pessoas dizem que tudo vai ficar bem. Que o nosso voto faz a diferença. Que eles/as deviam se informar sobre a política, já que a política (e a politicagem) regem as oportunidades de vida que eles/as recebem. Que o ativismo – qualquer seja sua forma – é a única resposta.  Mas ah, se eu pudesse falar para eles/as sobre os sentimentos.

E você, o que diria para nossas crianças?

– Texto escrito por Janaína Bordignon

– Foto disponível em http://www.stumbleupon.com/su/2VuXD6/www.colerise.com/.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Marília Silveira
    abr 17, 2011 @ 17:50:22

    Jana querida! Me senti convocada! Eu diria para elas não perderem a curiosidade (motor da vida) e a capacidade de brincar com as coisas da vida, todas elas, até as que doem muito. beijo.

    Responder

  2. Bloco do eu me importo
    abr 19, 2011 @ 00:21:17

    Mari, dear. Sem dúvida nenhuma, acredito também que eu preciso ser lembrada disso, de brincar com até o que dói muito. Muito obrigada 🙂 beijão [jana]

    Responder

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