Também não sei, diz Juliana sobre Tarso

Por Juliana Schneider Guterres

Gostei do que ele falou. Aliás, gostei muito. Qual o problema de não saber? Chega de nos encalacrarmos atrás de slogans vazios – que nem sempre estão de acordo com o que pensamos, mas sim estão a serviço do que os outros querem nos fazer acreditar – e enchermos nossos carros e agendas com adesivos de “drogas nem morto”, “crack nem pensar”. Não podemos comprar teorias e verdades prontas, VAMOS PENSAR SIM! Dá mais trabalho, é mais doloroso, mas pelo menos teremos nossas próprias palavras e opiniões a declarar. Nem que nossa opinião seja, como a do nosso governador, dizer “não sei”, preciso refletir mais, me deter nos detalhes.

Levante a mão aí quem nunca fumou um baseado (ou quem não conhece, pelo menos, uma pessoa que o faça). Ou então quem nunca se envolveu com qualquer tipo de adição, de qualquer natureza – sexo, compras, bebida, cigarro, amor, comida, etc., etc. e etc. (E sim, eu sei que uma pedra de crack pode ser mais prejudicial que uma fatia de pizza – pelo menos em curto prazo! – mas o que está em jogo aqui não são os objetos em si, mas as relações de adição e doença que estabelecemos com eles). Porém é tão mais fácil jogar isso para fora da esfera das nossas vidas e com dedos em riste apontar o maconheiro, o cheirador, o drogado, o pedreiro… Assim como o gordo, a puta, o pobre, o preto, o bêbado, o tarado. Como se isso nunca nem tivesse passado perto da nossa realidade e do nosso círculo social, como se fosse um problema único e exclusivo de saúde pública e não das nossas relações pessoais. Muito pelo contrário, respeitáveis pais de família enquanto criticam seus filhos maconheiros, chapam suas caras de uísque jogando pôquer com amigos e prostitutas. Adoráveis senhoritas fecham a janela dos seus carros parados nos semáforos na cara da criança pobre que cheira cola, voltando arrependidíssimas do shopping onde acabaram de gastar o salário do mês inteiro em uma bolsa. Adolescentes na volta da escola olham torto para os bêbados sentados em um dos muitos bares espalhados pela cidade, enquanto esquecem que todos os finais de semana tomam um porre só por diversão com seus amigos.

E aí, o que fazemos com isso?  Vou com o Tarso e jogo no time do “eu sinceramente não sei qual é a melhor saída”. Tenho algumas direções, alguns caminhos que comecei a trilhar e alguns lugares e teorias que tenho certeza que não me servem. Mas daí a me considerar com uma opinião certeira e fechada sobre determinado assunto, já são outros tantos quinhentos. Prefiro dizer que não sei, que ainda não estou pronta pra responder e seguir nesse processo de investigação. Até porque acredito que admitir nossa ignorância é o primeiro passo para a conquista de conhecimento.

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